A Vontade expressa em traços.
Tomando como referência a perspectiva filosófica de Arthur Schopenhauer sobre
a “essência universal da natureza” (a qual este pensador chamava Vontade; o que
influenciou a noção psicanalítica de “inconsciente” e impulso), reconheço a mente
humana como uma entidade conectada à totalidade, como uma manifestação da
natureza, parte consciente, parte inconsciente, mas, sempre ligada ao todo. Partindo
desse ponto de reflexão e interpretação sobre a realidade, diria que: o que faço é tentar,
da forma mais espontânea possível, expressar o que sinto e penso e lançar isto sobre a
tela, deixando espaço para que elementos enterrados no mais profundo de minha mente
(em íntima conexão com meu corpo) se manifestem livremente durante a realização da
obra.
Acredito que a linguagem estética que tento desenvolver (sem dúvida tendo como
influências outros grandes artistas da história da arte, já que é praticamente impossível
não dialogar com o que já foi produzido, pois, estamos conectados ao mundo) me permite
realmente exteriorizar coisas da minha subjetividade, as quais além de se mostrarem
como um código de signos a ser decifrado sobre o que carrego em mim, são, também,
quando materializados na tela (ao final da construção da obra), um espelho onde posso
ver, além de algo sobre meu próprio eu, muito, também, sobre o próprio mundo onde
estou inserido, sublinhando aspectos da realidade que muitas vezes passam batidos no
cotidiano, por isso encaro meu trabalho como a criação de portais ou ainda, sob uma
outra abordagem, como “textos” codificados que muito podem revelar dos segredos da
estrutura da realidade e de meu próprio ente.
Schopenhauer acreditava que a arte era o momento em que podíamos observar a
Vontade universal sublimada esteticamente, ele destacou a música, mas, no que
expresso, também, há música, além de traços, porém, esta “música” toca com quem entra
em contato com cada obra e muda a cada novo olhar.
Revelando algo da essência do mundo e, ao mesmo tempo, como entidades
“novas” na realidade (as quais somente minha mente pôde gerar), identifico nessas obras
objetivações estéticas da Vontade que muito podem dizer sobre a realidade, não apenas
filosoficamente, mas, em uma linguagem poética de muita força.
Paulo Vinícius.










































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