O Abstracionismo Ontológico de Paulo Vinícius


A Vontade expressa em traços.

 Tomando como referência a perspectiva filosófica de Arthur Schopenhauer sobre a “essência universal da natureza” (a qual este pensador chamava Vontade; o que influenciou a noção psicanalítica de “inconsciente” e impulso), reconheço a mente humana como uma entidade conectada à totalidade, como uma manifestação da natureza, parte consciente, parte inconsciente, mas, sempre ligada ao todo. Partindo desse ponto de reflexão e interpretação sobre a realidade, diria que: o que faço é tentar, da forma mais espontânea possível, expressar o que sinto e penso e lançar isto sobre a tela, deixando espaço para que elementos enterrados no mais profundo de minha mente (em íntima conexão com meu corpo) se manifestem livremente durante a realização da obra. Acredito que a linguagem estética que tento desenvolver (sem dúvida tendo como influências outros grandes artistas da história da arte, já que é praticamente impossível não dialogar com o que já foi produzido, pois, estamos conectados ao mundo) me permite realmente exteriorizar coisas da minha subjetividade, as quais além de se mostrarem como um código de signos a ser decifrado sobre o que carrego em mim, são, também, quando materializados na tela (ao final da construção da obra), um espelho onde posso ver, além de algo sobre meu próprio eu, muito, também, sobre o próprio mundo onde estou inserido, sublinhando aspectos da realidade que muitas vezes passam batidos no cotidiano, por isso encaro meu trabalho como a criação de portais ou ainda, sob uma outra abordagem, como “textos” codificados que muito podem revelar dos segredos da estrutura da realidade e de meu próprio ente. Schopenhauer acreditava que a arte era o momento em que podíamos observar a Vontade universal sublimada esteticamente, ele destacou a música, mas, no que expresso, também, há música, além de traços, porém, esta “música” toca com quem entra em contato com cada obra e muda a cada novo olhar. Revelando algo da essência do mundo e, ao mesmo tempo, como entidades “novas” na realidade (as quais somente minha mente pôde gerar), identifico nessas obras objetivações estéticas da Vontade que muito podem dizer sobre a realidade, não apenas filosoficamente, mas, em uma linguagem poética de muita força. 

Paulo Vinícius. 

























































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